Seja bem vindo ao Celeiro do Norte, Sinop/MT, 17/11/2018
09 de Maio de 2018 - 19:15
PRISÃO COLETIVA
Desembargador alerta que AL não pode soltar deputado e ameaça “prisão coletiva”

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT) informou que o desembargador José Zuquim Nogueira proibiu, em sua decisão que decretou a segunda fase da “Operação Bereré – Bônus”, que a Assembleia Legislativa faça uma sessão para decidir sobre a revogação ou não da prisão do deputado estadual Mauro Savi (DEM). O parlamentar é apontado nas investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO) e do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) como líder de esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN), que teria desviado cerca de R$ 28 milhões dos cofres da autarquia, entre os anos de 2010 e 2014 na gestão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido).


Denominada de “Bereré – Bônus”, a operação de hoje é baseada na colaboração premiada dos empresários José Ferreira Gonçalves Neto e José Henrique Gonçalves, donos da empresa EIG Mercados LTDA., que tem sede em Brasília/DF. A organização faz o registro de contratos de financiamento de veículos no departamento e repassava cerca de 30% do seu faturamento à empresa Santos Treinamento, que seria de “fachada” para lavar dinheiro para políticos.


De acordo com promotores de Justiça, o desembargador explicou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que deputados estaduais não possuem as mesmas prerrogativas de deputados federais e senadores, que só podem ser presos em flagrante por crime inafiançável e com aprovação de suas respectivas casas legislativas. Zuquim ainda destacou que o Legislativo “deverá observar a vedação de expedir resolução ou quaisquer atos que importem em revogação da prisão preventiva decretada”, fato que aconteceu no ano passado, quando o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) foi preso em outubro do ano passado na “Operação Ararath”, sob suspeita de atrapalhar as investigações da Polícia Federal.


O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), que também é investigado no esquema de fraudes no DETRAN, disse que espera um parecer jurídico da Procuradoria para decidir as medidas a serem adotadas. “Quem vai definir se Assembleia pode ou não pode votar, se deve ou não deve, é a Procuradoria. Eles farão um estudo, vão analisar a jurisprudência do Supremo e vão dizer se deve ou não. Não tenho conhecimento jurídico para dizer o que será feito. Essa análise cabe aos procuradores da Casa. Tudo será pautado pela Procuradoria”, explicou.


Na operação desta quarta-feira, foram determinados seis mandados de prisão e cinco de buscas e apreensão em Mato Grosso, Brasília/DF e São Paulo/SP. Além de Savi, já estão presos o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, os empresários Roque Anildo e Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, conhecido como “Grilo”, e José Kobori.


O advogado Pedro Jorge Zamar Taques, irmão do ex-secretário da Casa Civil, também teve a prisão preventiva decretada. Ele encontra-se foragido e agentes do GAECO suspeitam que ele esteja escondido em São Paulo.

Mais notícias

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player