Seja bem vindo ao Celeiro do Norte, Sinop/MT, 20/09/2018
17 de Agosto de 2018 - 15:14
DISCUSSÃO
Sem glifosato, próxima safra é incerta e discussões sobre uso de agrotóxicos aumentam

Com o início do plantio da próxima safra se aproximando, as discussões em torno da suspensão do glifosato e do uso de agrotóxicos ganham maior proporção. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), os produtores de grãos não terão como iniciar os trabalhos sem o herbicida – que vem sendo alvo de processos na justiça dos Estados Unidos. Na semana passada, a decisão da justiça brasileira veio como uma rápida resposta à condenação na Califórnia da Monsanto - maior fabricante de produtos que contêm como ingrediente ativo o glifosato - a pagar quase 290 milhões de dólares por danos a Dewayne Johnson, um jardineiro americano com câncer após a exposição reiterada ao Roundup, produto que tem como princípio ativo o glifosato.


Durante o julgamento, foram ouvidos diversos especialistas sobre o assunto, entre eles médicos, epidemiologistas e especialistas em Saúde Pública. Somente nos EUA, existem cerca de 4.000 processos semelhantes a este em tramitação. Em sua decisão de suspender o herbicida no Brasil, a juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura usou como base a nota técnica da Fundação Oswaldo Cruz que diz: "Tanto para os trabalhadores expostos a essas substâncias quanto para os consumidores de culturas tratadas e para a população em geral, razão pela qual necessitam de uma detalhada avaliação para obtenção de registro".


A engenheira química do Freitag Laboratórios, Grace Jenske, explica que também foi levado em consideração que no último dia 6 de agosto expirou o prazo que as empresas fabricantes de produtos com este princípio ativo tinham para enviarem à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seus estudos e discussões técnicas informando as doses de referência que devem ser utilizadas na avaliação de risco do glifosato. Agora, o herbicida segue suspenso até que Anvisa conclua a reavaliação toxicológica. Grace lembra que as discussões se intensificam também em razão da tramitação do Projeto de Lei 6299/2002, conhecido como “PL do Veneno”, que propõe modificações que enfraquecem significativamente os critérios no sistema de regulamentação do uso de agrotóxicos, seus componentes e afins no Brasil.


Segundo a engenheira química do Freitag Laboratórios, esse é um momento que o Brasil precisa aproveitar para “um estudo aprofundado para cada tipo de cultura, definindo assim qual a alternativa mais viável a ser utilizada. Da mesma forma que não existe um consenso sobre os impactos do glifosato, não há conhecimento de outros pesticidas que não apresentem riscos à saúde humana e que combatam as mesmas pragas”. No entanto, Grace Jenske defende que: “deve-se levar em consideração que a agricultura brasileira está a um mês do início da safra e que a decisão da justiça neste momento pode acarretar em impactos significativos na economia brasileira. É preciso a aprovação de uma política nacional de redução do uso de agrotóxicos nas plantações, como está sendo feito em países desenvolvidos. Existem também outras alternativas como a agroecologia que precisam de um maior incentivo dos órgãos públicos, para que possam se desenvolver de forma sustentável e economicamente viáveis”.

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