Seja bem vindo ao Celeiro do Norte, Sinop/MT, 03/06/2020
2013-01-11 de 06 de
ANO NOVO, VELHAS PRÁTICAS

Para  os que imaginaram passar o natal sem um presentinho, vale informar que o  mesmo chegou, embora um pouco atrasado.   Nos estertores de 2012 a Assembleia Legislativa do Mato Grosso aprovou a  lei 9859 (27/12/12) imediatamente sancionada pelo Executivo, onde  autoriza este a colocar em conta única todos os recursos dos fundos  arrecadados pelo estado.  Significa dizer que o buraco  negro das contas governamentais acaba de sugar também o dinheiro que  seria utilizado, entre outras coisas, na manutenção das estradas por  onde transita a riqueza maior de Mato Grosso: suas abundantes safras.


Segundo  comentários de quem já conhece a máquina pública, o desvio de recursos  do propósito para o qual foram concebidos  é prática corriqueira dos governos, principalmente quando estes assumem  compromissos acima das suas possibilidades. A Assembleia Legislativa  apenas chancelou esta prática, legitimando-a, independentemente dos  desejos das populações que, na hora do aperto,  sequer são lembradas.


 A  má gestão dos recursos públicos infelizmente tem sido regra e não  exceção, abrangendo todas as esferas da administração  seja ela municipal, estadual ou federal.  Informação obtida  recentemente pelo Portal da Transparência demonstra que nos últimos dez  anos o Governo Federal consumiu, através dos cartões corporativos, a  (quase) irrisória quantia de meio bilhão de reais.  Os  cartões corporativos já foram manchetes no governo Lula e são  utilizados para pagamento de hospedagens, prestações de serviços e  compras diversas (incluindo free shops). Segundo o Ministério do  Planejamento dos dois milhões e 40 mil funcionários públicos federais,  “apenas” 21 mil são portadores dos mesmos, que acabam funcionando como  verdadeiros cartões de crédito.  É verdade que no governo Dilma houve  uma iniciativa de disciplinar este uso, inclusive proibindo saques  diretos no caixa, mas, mesmo assim, somente a Presidência  da República consumiu R$ 135 milhões dos quase R$ 500 milhões gastos na  década.


Por  aqui, já era esperado que os cofres estaduais fossem raspados na  tentativa de suportarem os investimentos exigidos  pela FIFA com vistas à Copa de 2014.  Fato é que Mato Grosso, pela sua  extensão territorial, possui uma grande demanda de recursos a serem  investidos na infraestrutura do interior do estado e, ao que parece,  tudo isto ficará em segundo plano até que as obras  da capital sejam concluídas.  Para um Estado de exploração recente onde  existe urgência na viabilização de novas opções de escoamento de seus  produtos visando ganhar competitividade, é evidente que houve uma  inversão de prioridades no destino dos recursos.  Seria como reformar a sala para impressionar as visitas, torcendo para  que estas não circulem pelo restante da casa, onde a bagunça resta  generalizada.


Embora  a pujança estadual se consolide ano após ano, graças ao trabalho  incansável de empresários, comerciantes, produtores  rurais e seus colaboradores, é preciso lembrar-se da existência de um  jargão popular afirmando que o dinheiro não aceita desaforos.  O tempo, e  somente ele, saberá punir ou premiar, no futuro, aqueles que fizeram as  opções corretas.


Feliz 2013 a todos os que nos prestigiam com sua leitura!

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